Professor, autodidata, contador de histórias e homem de mil ofícios, Jaime Ferreri nasceu em Bravães há quase 80 anos e por ali ficou — entre a paixão pelo ensino, a memória da guerra colonial e o amor pelas tradições da terra. Vive só, mas nunca quieto: escreve peças, toca caixa, organiza encenações populares e edita livros. Eis o seu testemunho.
Chamo-me Jaime Ferreri, tenho 79 anos e a minha família está por cá desde, pelo menos, 1420 — vem tudo no Livro de Ouro da Nobreza. Fui um rapazito nascido aqui, em Bravães. Fui para a escola, e o primeiro arrepio que apanhei foi por bondade. A professora das raparigas foi buscar-me à escola dos rapazes. Fazia perguntas às raparigas e elas não sabiam. Fez-me uma pergunta a mim e eu acertei. Ela passou-me uma régua para a mão e disse: “Agora dá seis bolos em cada uma delas.” Quando cheguei à primeira, ela disse: “Não é assim!” E deu-me seis bojardas nas mãos. Estive para fugir pela porta fora, mas a minha mãe apanharia um desgosto. Aguentei. Pedi ao professor para não me mandar mais, que eu não estava para aquilo.
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